quinta-feira, 14 de abril de 2011

Poesia Jurídica

Uma lei loirinha interpretada
Andava pelo sentido da palavra
E vivia impondo proibição
Sempre que entrava numa relação.

Coube ao destino uma brincadeira
Quando um fato jurídico de tez morena
Lhe notou desde a incidência
Em uma festa do Tio Sanção.

Quando se viram houve uma colisão
Entre princípios e a sua aplicação
Ela estrita e ele iminente
Juntos chegaram numa exceção

Esses foram o termo do acordo:
Ele rouba um beijo e sai impune
E deixamos que esse sentimento semântico
Seja aplicado ex tunc

Ela se achava ordinária
Nunca esperava esse caso legal
De uma noite mágica
Virou pra ele norma fundamental

quinta-feira, 17 de março de 2011

Algumas palavras sobre a Vida

Eu começo a acreditar que envelhecer e se manter o mesmo é algo mais difícil na prática do que na teoria. "Endurecer sin perder la ternura". Com a vida surgem obstáculos difíceis que nos levam a passar a tomar atitudes ríspidas para nos proteger dos baques lá de fora. Se o mundo vem e bate de frente você peita chocando-se com a testa. Esta espécie de selvageria é parte das regras de um jogo que sempre existiu e nunca mudou drasticamente, só de cenário: saímos das florestas cheias de cobras e fomos para as cidades enfurnadas de vários outros animais peçonhentos. Alguns usam ternos, outros usam maquiagem, e muitos deles se camuflam atrás de um vasto sorriso ou de uma risada ensaiada. Quer dizer, com tantos jogos de interesses e uma grande quantidade de charlatões que desafiam o seu altruísmo e bom discernimento, “envelhecer” em pouco foge do significado de “endurecer” como falou o velho Che. Só que infelizmente, La ternura se despetala com facilidade ao longo das estações da vida, fazendo a primavera das nossas juventudes experimentarem uma espécie de inverno desconsolador, e que a cada ano que passa fica mais translúcido no olhar das pessoas.Estamos perdendo a batalha, mi comandante.


Apesar das eventuais derrotas, peço licença para por na mesa de estratégias a informação de uma arma que sempre foi a destruição dos tiranos e a ruína dos ditadores. Claro, a mesma também levou à loucura e ao fracasso heróis, messias e seguidores, mas como tratamos de uma guerra de paixões esta é sem sombra de dúvida a mais forte das munições e o mais devastador dos explosivos: o sonho. E o sonho a que me refiro são os sonhos de criança. Se com o tempo você perder a si mesmo e o espelho esconder o seu verdadeiro rosto com rugas, deixe que o sonho sirva de ponte para resgatar a criança que você já foi e o brilho dos seus olhos.


Hoje me parece que um cometa jamais me dará os super poderes para que eu possa sair por aí voando prendendo bandidos. E como saber quem são os bandidos se alguns usam farda? É uma bosta mas até o certo e o errado parece que se relativizaram com o passar do tempo. Será? Eu acho que não. Matar alguém é certo? Não, é errado. Mas as vezes, é necessário. Cercear alguém do direito de ser pai é errado? É, sem dúvida, mas alguns destes pais abusam da violência tornando isto necessário. Casar? Também é necessário!


Brincadeiras a parte, o meu ponto é que mesmo que as decisões que nós vamos tomando ao longo das nossas vidas vão se tornando cada vez mais difíceis e mais complexas, o certo e o errado não mudam, eles só procuram dar lugar ao que é justo e ao que não é, uma diferença que repousa unicamente em nos tornarmos fortes para lidar com as conseqüências de trapalhadas e de estragos que, às vezes, outras pessoas podem ser as responsáveis. E lavando as nossas mãos, assinamos o compromisso de sermos piores que as vítimas do acaso –viramos vítimas de bom grado.


Portanto, basta dizer que, ainda que tudo esteja dando errado pra você, não deixe de ser justo com o seu coração. Lembre-se de que é importante deixá-lo amadurecer, mas só o suficiente para você encontrar aquela ou aquelas pessoas certas. Depois, volte a ser criança

quinta-feira, 3 de março de 2011

Existem milhões de maneiras de se machucar as pessoas, mas acho que existem poucos manuais de como fazer para curá-las? Qual o remédio para estender uma ponte conciliadora ao sofrimento e compreensiva à dor, de um modo que a mensagem que chegue seja uma “Ei, vem pra cá. Sai daí, dessa solidão. Vem ser meu amigo”? Não é abstendo-se, com certeza. Não é sendo omisso. Não é ficando parado, apesar do silêncio, às vezes, ser necessário. Mas um silêncio preenchido com a presença de um amigo que se importa, silencioso. Um silêncio denso.
Não há, de fato, um remédio específico, mas críticas a cada solução: duas tristezas que combinam até ajudam a ter o que falar quando ambos se encontram nessa ponte criada entre dois estados devastados, mas fazer da ponte uma morada pode dar e não dar certo. Não cresce nada em pontes. Há, apenas, sobrevivência.
O Tempo age incontestavelmente. E a profusão que mistura contém sempre dois igrediantes: alegria e medo. Temperando de lá e pra cá, pode ser que você consiga preparar um poção cheia d´Esperança. As pessoas que verdadeiramente se importam vão dosar esforços até transformar o cozido num milagre, - o de dar berço ao renascimento de uma pessoa reconstruída. E como toda pessoa reconstruída, não é que lhe faltam pedaços ou partes sobreçalhentes que sempre foram características marcantes. Será a restauração um sonho quando as coisas não podem voltar a ser como eram antes? Quem sabe. Mas nada impede um homem reerguido, essa nova pessoa, de conquistar a sua própria glória e reconhecimento. De encontrar a felicidade.
Para fazer isso, para reanimar um rosto fosco, de todas as diferentes idéias que você possa pensar, acho que só há um modo: é estar genuinamente disposto a ajudar.

Saudades e Falta de Mágica

Eu sinto saudades de um amor que eu já tive e que nunca desapareceu. Só me disseram: “Quanto mais você lembrar, mais vai doer. Então tente não lembrar”. Tentar não se lembrar dela enquanto ela tenta não se lembrar de mim. O problema é que no joio havia muitos momentos bons e resolvi não me desfazer de nenhum. E com o tempo, fui percebendo que não doía. Como poderia? Cada lembrança puxa outra boa, que puxa uma boa, que puxa uma ruim, que puxa outra boa...
Quem soube desfrutar do tempo que lhe foi dado com coisas boas não tem como se magoar com os poucos assuntos que ficaram desentendidos. Se existe uma dor, é única do “ser esquecido”. Dói demais desaparecer de lugares e perder amigos sem a sensação de que você importa.
Tanto empreendimento jogado fora. E mágica. Estar com alguém que a gente gosta faz acontecer algumas mágicas. Viver sem a mágica desaparece com o extraordinário, mas às vezes eu acho que é necessário para continuarmos vivendo. Ou não? Não sei.
Viver sem mágica de verdade faz da vida uma ilusão?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Meus Heróis de Verdade

(Não, eu não estou morrendo...)

Por mais que alguns heróis estejam presos nos quadrinhos, a necessidade humana pela super ajuda sempre ilustrou feitos que, por detrás da lente da miséria e da necessidade de um milagre, esculpiram e imortalizaram homens e mulheres tão falíveis quanto cada um de nós, com as mesmas chances de perder, de sangrar, de não sobreviver, de ceder às provocações, mas que hoje trajam louros nas páginas da história porque desafiaram suas próprias probabilidades.

Existem personagens inclusive que habitam o nosso imaginário que, por mais que custemos a acreditar, pelo modo como influenciaram as pessoas das suas épocas, era quase como se tivessem existido! Zorro, Capitão América, Homens de Preto, Ben 10, etc. Por mais fictícios que alguns deles sejam, olhem ao nosso redor-sempre há um fundo de verdade na fantasia que simplesmente não surge do nada, não se auto fabrica ou inventa. Eles existem porque alguns têm uma capacidade melhor de afetar os outros (ou simplesmente melhores agentes e publicitários).

É por isso que, discorrendo sobre desafios e influências, feitos e narrativas, eu também não podia me frustrar ao momento de ilustrar os meus heróis para que todos soubessem o quanto sou grato a eles.

A Bombom é a mãe mais legal que eu conheço e a amiga mais resiliente que eu já conheci. Alguém que toca seus sonhos contra extremas dificuldades mas que mantém um dos sorrisos mais bonitos que eu já vi, uma capacidade inigualável de cativar pessoas (e assustá-las pelo twitter) e fazer amigos, mantendo uma postura descolada e bacana que falta à mulher perfeita.

Paulo eu já ilustrei tanto como super-herói nas minhas revistinhas (e mafioso nos roteiros criados juntos no Orkut) que não chega nem a ser novidade listá-lo. Um dos seres humanos mais humano que eu já conheci, mais gentil que já existiu e uma pessoa tão honesta e verdadeira que dá gosto de ter alguém assim ao redor. Trata-se de uma companhia tão divertida que, por isso mesmo, nada menos estranho que consiga transformar a saudade numa super saudade, como ele já faz.

Quando Los Hermanos criaram “Cara Estranho”, salvo alguns refrões, com certeza eles tinham visto o Miguel. Mas ao invés de pedir pra alguém por aprovação, ele vai lá e faz o que lhe dá na telha. Ele sabe exatamente para onde ir e é onde possa ver e fazer as coisas de um jeito tão particularmente original que deixa a marca “lol, it´s Miguel”. E com a sua inegável gentileza e amizade, ensinam algo como autoconfiança que tanto carece às pessoas.

F...Força, A...Agilidade, e T de “Tantas Coisas” fazem a força FAT, que, esquecendo o lado pederasta que a Física tende a atribuir, remete ao tempo em que um lápis na mão e um papel em branco era a porta de entrada para um universo de risadas dobrando a galáxia numa nave espacial com meus melhores amigos. E até hoje, seja com esse exemplo de amigo que é o Alisson, seja com aquele tempero de fundamentação das resenhas que só o Thiago consegue, são dois caras praticamente irmãos que já estiveram lá do meu lado pra muita coisa, e com certeza ainda vão estar até todo mundo ficar bem velhinho, com certeza tirando até onda do primeiro que tiver que fazer o exame do toque. E isso vale também pra Flávia, Denise, Vinícius, Juliana, Aloísio... –somos corações que não sentem o tempo. Porque, se de fato nem à distância e nem o tempo conseguiram sobrepor estranheza na amizade, e sempre conseguimos ser alegres e espontâneos uns com os outros, não há tempo que nos faça perder o espaço que podemos preencher com o amor que sentimos uns pelos outros.

Magão, Arthur e Saulo, os guerreiros de level 1 mais temíveis que o mundo já viu, matando até dragão no background, mas perdendo feio pros peidos do mestre. E desde o posto sete que a gente se conhece, tocando o terror com umas piadas, músicas e situações que fundaram o patrimônio cultural da minha vida, o “jeito Bravo de ser”, e que se não se chamasse “Os Bravos”, podia ser algo parecido com “a equipe de kung fú que protege Maceió de noite” ou tão estiloso quanto “A maçonaria que manda cartas envelhecidas no café”.

A minha Liga da Justiça ainda engloba tantas outras pessoas se eu continuasse... A Liga do Posto 7, Maceió Super Heroes, Os Mongo Cards, Monstros de Neons, Equipe Mesa de Bar, Gestão Reinventar, Os Ilhéus Killers, CnE, a galera do Dota, o clube do Peru, os sócios do escritório e dos livros de fantasia, a escritora da série “Isso Não Vai Dar Certo”, todo mundo que tá na comunidade “Meeeeen´s Love”, “Codinome Virilidade” e “Ma Thalithês is too bad”... Meus pais, meus irmãos, alguns professores, alguns diretores, grandes amigos dos carnavais da Barra (sempre serão os amigos do Carnaval da Barra) e outros de tantos outros carnavais que vem à lembrança, provando que, por minúsculos que sejam para todas as outras pessoas do mundo ou para a história da raça humana em geral, não o são para mim. E seus feitos merecem a vida mais flamejante que possa haver enquanto durem. E acreditem, se depender de mim, eles vão durar para sempre.

Por isso, enquanto nossos caminhos ainda se entrelaçam, permitam-me dizer que vocês são os maiores heróis da minha geração. Obrigado por todas as nossas aventuras.