terça-feira, 24 de abril de 2012

Duras escolhas

Não é fácil viver sem amor... mas também não é fácil estar em um relacionamento amoroso. Existe sempre uma batalha que deve ser enfrentada ao custo de muita paciência e reflexão ao preço de figurarmos nas manchetes dos jornais do dia seguinte como sendo aquele cara que incendiou a sessão especial de presentes para namorados em uma loja do Shopping.

O difícil de compreender é que, com o tempo, seus hábitos, antes de uma pessoa solitária, passam a envolver outra presença, que normalmente espera ser consultada quando uma outra opinião deva ser levada em consideração e tenha o direito de re-esquematizar a sua agenda pessoal deixando bem claro com a hachura colorida de praxe quais são os dias em que estar juntos é uma prioridade.

A princípio, é entusiasmante. A atenção, o carinho, a consideração... mas aos poucos você percebe intrusões num castelo de costumes que começa a ser sitiado pelo exército da vida a dois... e o invasor espera que você tenha o mínimo de empatia para baixar a ponte levadiça, fazer uma faxina nas paredes, dividir os tesouros e, principalmente, mudar a bandeira da nação.

É quando a guerra realmente começa.

Um sentimento terrível é possuir a sensação de perder a sua própria identidade. Deixar que coisas que lhes são preciosas sejam diluídas à medida que a sua vida é repartida à novas prioridades: num relacionamento, atenção e pequenas demonstrações de carinhos são fundamentais para a valorização desse sentimento de afeição que reconstrói todos os dias uma união. Uma mudança súbita começa a se operar, gerando uma inquietação que profetiza a grande revelação: tudo que você conheceu até então jamais será igual! O seu mundo se abre a novas redescobertas de impressões que você tinha das coisas que sempre viu e sempre fez, mas que passam agora pelo crivo de impressão de alguém que você ama.

A inquietude nessas horas é a prova de como a sua cabeça está no lugar. É compreensível temer dar um passo bravo num lugar que você nunca adentrou antes, ainda mais quando coragem não é um atributo forte. E quando nos vemos cometendo os primeiros deslizes, o pouco de iniciativa que te sobrava fraqueja. E quem antes se excitava com os contos da aventura, agora corre pela sua vida quando os monstros se demonstram maiores e mais insuperáveis que a sua confiança lhe permitia acreditar. Nos esgueiramos para uma caverna chamada ego e montamos o único esconderijo que resta para pensar e imaginar uma nova proposta de desafiar seus medos.

Nessa hora, percebemos o quanto fomos quebrados pelos relacionamentos anteriores... Como o que se passou fez com que as nossas características pessoais mais marcantes engrossassem numa espécie de casca que não permite tão facilmente a adaptação, e esse, meus amigos, é tanto a escada quanto o barranco.

Cada um tem uma milha pessoal que precisa vencer para se atingir um novo patamar moral. E às vezes esse caminho é imposto, é a vida que te diz “ou cresce ou se vira”; às vezes há tempo e o processo ocorre naturalmente, ou, às vezes, não. E quando você encontra outra pessoa com necessidades e expectativas que deseja que você as supere, passa a ser um ponto chave para a transformação perceber o quanto você está disposto a sacrificar para atender a essa demanda.

Tanto o sacrifício quanto a recompensa envolve a mesma coisa: amor.

Sobrepese na sua balança sempre se da equação resulta a melhor soma – a felicidade compartilhada, as novas e gratificantes experiências e a evolução de certas condutas. É sempre visível que as pessoas que mais nos querem bem, mais nos pedem para superarmos suas altas expectativas pelo simples fato de que elas confiam que podemos fazer isso. E se alguém mais está disposto a dar esse voto de confiança quando nem nós estamos, bem... significa que há alguém verdadeiramente especial do nosso lado. E que ninguém nunca falou em rendição, mas de uma aliança que considera as possibilidades de enfrentar, aí sim, um mundo inteiro, numa coalizão de forças que fará a terra tremer.

Mas onde cada passo é uma conquista, é preciso primeiro a paciência; a ponderação se os esforços estão realmente sendo empregados eficazmente, e, principalmente, se existe alguém também disposto de mudar alguns hábitos, quando necessário, por você. E acredite: mesmo que nem tudo seja um mar de rosas, enquanto o sorriso um no rosto do outro valer à pena, tudo poderá dar certo. E eu estou disposto a acreditar que dará.

Um comentário: