Eu me arrependo de tanta coisa nessa vida... Já me lasquei muito. E, engraçado, li em algum lugar que viver é como pintar um quadro -você não precisa deixar um borrão estragar a sua tela, você pode transformá-lo em alguma outra coisa. Duas camadas de tinta em cima e, voalá. Uma obra de arte.
Pensando nisso, imaginei como seria engraçado uma situação em que eu estivesse numa mesa d´uma pizzaria com todas as minhas exes. Não seria filme de terror, com certeza... Acho que, quando a poeira das brigas assentam e cada um já tocou a sua vida, é fácil perceber a miudeza que provocou o desentendimento.
Não acho que dá pra ser amigo de Ex. Honestamente. Mas é bacana quebrar aquela antiga hostilidade, criar uma espécie de relação de se sentir bem pelo outro estar bem.
Em algum momento no futuro, sei que vai chegar aquele fatídico convite pro casamento. Gostaria de dar um grande abraço e desejar tudo de bom de coração.
Essa composição própria é a pérola da minha coleção de músicas. Sempre que eu imagino como seria a vida se eu tentasse mesmo montar uma banda e fazer sucesso, essa seria a rampa de decolagem. Mas enquanto vivo do anonimato, não tem problema nenhum compartilhar.
Fliperama do Amor
Tudo começou numa estação de games Ela apareceu do nada e apertou "start" de repente. Foi dupla em tudo que jogamos o dia inteiro foi um bônus, um romance começou a loadar- (á-á-á) x2 Um amor de fliperamatava no ar (á-á-á-aaaah)
Quem vai dizer que é insensato a vida ganhar o formato de um sonho se você é um sonhador Quero um amor de fliperama com seus vícios e seus dramas sem macetes ou passwords.
Onde não há sombras nos sintomas que se explicam em animação: Queria você sempre perto (come overhere!) Tinha vontade de pular (shoriu-repá!) Pela primeira vez na vida eu tinha certeza de onde era o meu lugar (checkpoint!) Até que então começamos a brincar de brigar (mode: fight!) E em algum momento a brincadeira nos deixou (som de descendo a pancada) Não houve combo que tentamos poupar (marvelous!) o seu pior fatality foi quando você se foi... E algo em mim resetou...ou ou ou, ou ou ou... no fliperama que é o amor... ou ou ou... Pressstart por favor... (Here comes a newchalenger)
Eu começo a acreditar que envelhecer e se manter o mesmo é algo mais difícil na prática do que na teoria. "Endurecer sin perder la ternura". Com a vida surgem obstáculos difíceis que nos levam a passar a tomar atitudes ríspidas para nos proteger dos baques lá de fora. Se o mundo vem e bate de frente você peita chocando-se com a testa. Esta espécie de selvageria é parte das regras de um jogo que sempre existiu e nunca mudou drasticamente, só de cenário: saímos das florestas cheias de cobras e fomos para as cidades enfurnadas de vários outros animais peçonhentos. Alguns usam ternos, outros usam maquiagem, e muitos deles se camuflam atrás de um vasto sorriso ou de uma risada ensaiada. Quer dizer, com tantos jogos de interesses e uma grande quantidade de charlatões que desafiam o seu altruísmo e bom discernimento, “envelhecer” em pouco foge do significado de “endurecer” como falou o velho Che. Só que infelizmente, La ternura se despetala com facilidade ao longo das estações da vida, fazendo a primavera das nossas juventudes experimentarem uma espécie de inverno desconsolador, e que a cada ano que passa fica mais translúcido no olhar das pessoas.Estamos perdendo a batalha, mi comandante.
Apesar das eventuais derrotas, peço licença para por na mesa de estratégias a informação de uma arma que sempre foi a destruição dos tiranos e a ruína dos ditadores. Claro, a mesma também levou à loucura e ao fracasso heróis, messias e seguidores, mas como tratamos de uma guerra de paixões esta é sem sombra de dúvida a mais forte das munições e o mais devastador dos explosivos: o sonho. E o sonho a que me refiro são os sonhos de criança. Se com o tempo você perder a si mesmo e o espelho esconder o seu verdadeiro rosto com rugas, deixe que o sonho sirva de ponte para resgatar a criança que você já foi e o brilho dos seus olhos.
Hoje me parece que um cometa jamais me dará os super poderes para que eu possa sair por aí voando prendendo bandidos. E como saber quem são os bandidos se alguns usam farda? É uma bosta mas até o certo e o errado parece que se relativizaram com o passar do tempo. Será? Eu acho que não. Matar alguém é certo? Não, é errado. Mas as vezes, é necessário. Cercear alguém do direito de ser pai é errado? É, sem dúvida, mas alguns destes pais abusam da violência tornando isto necessário. Casar? Também é necessário!
Brincadeiras a parte, o meu ponto é que mesmo que as decisões que nós vamos tomando ao longo das nossas vidas vão se tornando cada vez mais difíceis e mais complexas, o certo e o errado não mudam, eles só procuram dar lugar ao que é justo e ao que não é, uma diferença que repousa unicamente em nos tornarmos fortes para lidar com as conseqüências de trapalhadas e de estragos que, às vezes, outras pessoas podem ser as responsáveis. E lavando as nossas mãos, assinamos o compromisso de sermos piores que as vítimas do acaso –viramos vítimas de bom grado.
Portanto, basta dizer que, ainda que tudo esteja dando errado pra você, não deixe de ser justo com o seu coração. Lembre-se de que é importante deixá-lo amadurecer, mas só o suficiente para você encontrar aquela ou aquelas pessoas certas. Depois, volte a ser criança.
- Amanda?
- an?
- A-Amanda, que porra foi essa!?
- O quê?
- Você não viu!?
- Mas que bosta, Sérgio! você acabou de me acordar!
- [agitado] Quê porra foi aquela, Amanda? Eu acabei de ver dois caras! Eles estavam aqui do lado da sua cama! Sentando a porrada um no outro!!! Como é que você não acordou?! [exasperado] Dava pra fazer um desfile de escola de samba com o cacete que eles desceram um no outro!!!!!
- Você quer falar baixo Sérgio, meu deus! Tá de madrugada, vai dormir!
- VOCÊ QUER QUE EU DURMA COMO CACETE?! [cuspindo] VOCÊ É QUE TINHA QUE ESTAR APAVORADA PORRA, [veia saltando] TU NÃO NEM VIU COMO UM DELES TAVA TE OLHANDO, COM UMA CARA DE FAMINTO!
- [sentando na cama] Tá relaxa, se acalma. vem cá [abraçando Sérgio com cuidado] passou...passou...isso...
- [tremendo] eu me caguei todinho. Eu não sabia se eu gritava ou se eu corria, eu achei que eles podiam me matar se vissem que eu tava ali.
- [desagarrando aborrecida] Mas você é um bunda-mole mesmo hein, Sérgio? Nem pensou em me proteger?
- Cê quer que eu veja dois brutamontes no meio da noite, que eu vi depois de passar a primeira noite na casa da minha namorada, depois de acordar mordido de sono pela trepada demorada da gente e do nada sair sentando o cacete? VOCÊ MORA NA PORRA DE UM PRÉDIO E OS CARAS SAIRAM PELA JANELA!!!
- É? E não quebraram nada? É a primeira vez que acontece.
- [suspiro resoluto] Amanda, meu amor...
- Oi!
- [histeria pulso 110 por 7 que só muito medo provoca...ou calma de mentira] Como é que eu te conheço a, o quê? 7 meses?
- e 23 dias.
- 7 meses e 23 dias...sei, e...como é que eu te conheço esse tempo todo... e você nunca, nem uma vezinha, nem entre uma garfada e outra, nem nos intervalos comerciais, você não pensou em me avisar o que eu poderia encontrar se tivesse vindo aqui?
- Olha Sérgio, eu vou ser franca. Eu pensei que podia estragar o nosso encontro.
- VOCÊ ACHA?!
-7 meses e 23 dias, Sérgio! Você não acha que eu já tinha esperado demais pra você me com-
- Do quê... [chocado] do quê que você tá falando?!
- Olha, eu já saí com uns caras antes e eu sei que cada um tem o seu tempo, mas você conseguia um ouro fácil fácil pro Brasil nessas Olimpíadas, Sérgio. Vai ser reservado assim no inferno.
- [mais chocado] Você tá me chamando de frouxo?!
[Nota do Narrador: Existem coisas que são mais importantes para um homem e que tomam prioridade em qualquer discussão, ainda que a ordem seja interromper uma conversa sobre a possibilidade de assassinos de aluguel terem invadido o seu apartamento pra brincar de Mortal Kombat sem joystick e fugir do 9º andar sem pára-quedas, e uma dessas coisas...é virilidade!]
- Eu fui muito respeitador! muito! Eu segui o livro ao pé da letra desde o primeiro encontro!! Flores, presentes, cineminha, deixar na porta de casa, conhecer os pais...
- Eu não sabia que tinha que conhecer os pais pra poder transar. Queria saber o quê? Se eu sou uma filha da puta?
[Nota do Narrador: E a coisa que mexe ainda mais com um homem...é quando a sua namorada mostra que tem uma virilidade...ainda maior que a dele]
- [mais chocado ainda] eu...mas quê...e-eu, aca-...o-olha! olha! [recomposto] Eu prezo pela qualidade, porra! pela nossa qualidade! pela qualidade da nossa relação! E eu duvido que você encontre calibre assim em outros 76 minutos! 76 minutos Amanda! Não é qualquer um que passa trepando esse tempo todo!
- Lógico! Tinha quase uma boda de papel celofone pra compensar!
-O.O E VOCÊ QUER DIZER QUE FOI RUIM?!
- Ruim não foi, né môr...[se aconchegando junto] rendeu gostoso o que rendeu...alias, tem tempo pra acordar de vez ainda. Não são nem duas da manhã. E se a gent-
- [recuada estratégica. Sangue voltando para a cabeça de cima] O qu- nã-não! Amanda! Você ainda não me explicou que porra foi aquela.
- [suspiro] Tá bom, tá bom. Aquilo acontece, amor. Fazer o quê?!
- Como é que dois completos loucos desconhecidos invadem a sua casa do nada e você diz que isso acontece?! Isso já aconteceu antes?!
- Já, tem tempo. E um deles não é desconhecido. Não tinha camisa vermelha? Ele sempre aparece o da camisa vermelha.
-Quê?!
- É. Vê, eu também ficava assim que nem você. Na primeira vez foi uma loucura. Eu acordo com um negócio quebrando e quando eu vejo, um gigante sentando a porrada num homem mirrinho. Eu quase infarto! Aí o Grandão ganhou e teve aqueles silêncios sabe, que ele me olhou e me disse tudo com os olhos?
- Quê?!
- Que te dizem tudo com os olhos. Ele olhou pra mim e pulou indo embora com o muidinho deixando só caco pra trás. Lógico que eu fiquei histérica, eu corri pra casa dos meus pais em pânico, tentei me acalmar de tudo quanto era jeito e até pensei que ia ficar pinéu. Mas sabe o que aconteceu, mô?
- Quê?! digo- o quê?
- Apareceu uma outra dupla na casa dos meus pais enquanto eu ainda estava me recuperando. Um gigante cabeludão que quase acertou uma faca em mim e o gigante de vermelho de novo que sentou uma porrada de tremer estádio em cima do cabeludão. E depois que terminou a briga deles, ele me olhou com aqueles olhos, sabe quando aquele par de olhos dizem tudo?
- Sei. Quer dizer, sei porra nenhuma!
- [ignorando] ...e eu voltei para casa com medo, sem contar pros meus pais...também, o que eu ia contar, hahahaha. E voltaram a acontecer brigas no apartamento também. E toda vez aparece alguém novo com o de camisa vermelha, que briga briga briga, mas ficou tão bom nisso que já nem quebra nada. Aí eu me acostumei com o silêncio e nem acordo mais.
- hahahahahhahahahahaha
- ?
- aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa-hahahahahhahahha [pressão 150/90] não, não, essa eu preciso, hahaha, essa eu preciso [crise de riso]
- Deixa de ser bobo, Sérgio!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA-HAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA...
- Meu deus, mas que criança grandalhona. Só tem tamanho mesmo.
- ["tamanho" faz Sérgio lembrar da realidade e o riso vira choro] uaaaaaá, uhuhu T_T
- [afetuosa] Meu amor, calma, calma, não fica assim, isso passa! passou comigo
- Mas você tá louca, Amanda?! Você não percebe como a sua vida tá maluca? Como a sua vida tá perigosa?!
- Ela tá meio diferentizinha, mas não tá tão mudada assim.
- Como é que você pode pensar que não tá? Tá mais rodada que roda gigante, Amanda! Que bolsa de personagem de Amarelo Manga! Eu só não entendo... eu só não entendo, meu deus...como é que você consegue esquecer de me dizer isso, como é que você conseguiu levar na conversa os outros caras...
- Eu tive poucos namorados, Sérgio, e alguns deles já reagiram um pouco pra menos e um pouco pra mais do que com você. E gozado, rs, sabe que eu nunca mais ouvi deles?
- [pânico] Anh? como assim?
- Eh...rs, eu vou ver se falo com a Cíntia, ela nunca mais me disse nada do Matheus.
- É PORQUE ELE DEVE ESTAR MORTO! O MATHEUS E O RESTO! aaaaaaaaaaaaa
- Deixa de ser fatídico, Sérgio! Que coisa mais exagerada! bate na madeira!
- [batendo a cabeça na cabeceira] toma! toma! toma!
- Rsrs, deixa de ser bobo, amor.
- [deitando zonzo]T-tá, eu paro... ... eu posso só saber como é que você vive com isso? como é que você encara tudo isso nessa naturalidade? Eu já te vi ter uma reação frágil até pra uma barata, Amanda. Porra! Eu te levei pra ver filme de fantasma e você se encolheu toda. Me agarrou todinho. E era dos trapalhões!
- 7 meses e 23 dias, Sérgio...7 meses e 23 dias...
- Mas você nunca pensou em perguntar ao diabo o que tá acontecendo? Saber e por um fim nisso?
- Olha, cê sabe que eu tento ter uma atitude super positiva, né? No trabalho a Cíntia me chama de menina do comercial, rs. Sabe aquela garota que tá sempre sorrindo, como se a vida tivesse perfeita? É porque a gente tem mesmo que agir diferente, ter essa garra, ter essa força!
- Eu acho que você é a única atendente de telemarketing que eu conheço que não falseia a voz! Eu ia descobrir hoje de manhã se você injetava alguma coisa, eu ia olhar lá no seu banheiro.
- Rsrs, para, amor! bobão.
- Eh...hehe...>glup< hehe
- Então eu penso comigo: será que se pudesse ter algo para ser resolvido além de palavras, poderia ser resolvido assim? Francamente, será? E sabe o que eu penso? Que não. Porra, o Godzilla entra na minha casa de Ranger Vermelho e dá uma surra num outro monte de músculos, e outro, e outro, e outro...eu acho que é uma daquelas coisas que não dá mais para tentar explicar. Tem gente que não deixa a razão entrar dentro da cabeça, sabe?
-Ah, mas você não sabe como!
-Então eu mentalizo e tento pensar no que é importante para mim, nas minhas certezas, e então me vêm e eu fico em paz. Que eu não preciso abrir mão de quem eu sou pra ficar me desesperando, até porque, francamente, mesmo que eu corresse e praticasse exercício pra ficar forte e me defender sozinha, a minha malhação cai melhor na bunda que no braço, fala a verdade...
-Existem coisas que não se discutem...
-E depois, eu me sinto segura sabendo das duas coisas que eu já sei tem tempo.
-[sentando] O quê?
-[carinho no peito] Que eu tenho o meu homenzarrão...
-[encabulado] rs, quiéisso...
-...e que o de vermelho sempre ganha.
- O.O
Eu acho que alguma coisa realmente transbordou se estou escrevendo no meu blog. É sempre um prazer, mas também chega a ser um pouco sagrado... Sempre que eu aperto essas teclas, neste espaço, é porque o coração quer falar alguma coisa. Hoje, não podia deixar de ser pra menos.
A Teoria do Pedaço Perfeito é uma coisa que eu venho pensando a algum tempo e que me ajuda a conformar dois lados importantes da minha vida: o romântico, e o realista. Sabe, para quem gosta de se colocar sob os holofotes como eu e brincar, teatralizar as coisas, mas não simplesmente levando tudo pr´um patamar em que não se leve as coisas a sério [somente, dando uma intensidade diferente pra elas. É, intensidade], num plano assim, meu, o que eu faço é a minha mímica do mundo legal.
Afinal, se tudo aquilo que você anuncia alto com os pulmões a toda voltam pra você, nada mais justo calibrar as suas frases. O problema é que nem sempre as respostas que eu tenho condizem com esse mundo em que eu vivo. E isso é simplesmente desesperançoso. O que eu faço? Dou o braço a torcer? mudo? me adapto? Quase aí.
Mudar é o que vai acontecer pro bem ou pro mal, mas é impossível de se evitar. A gente se transforma pra se defender perdendo uma das coisas mais bonitas do mundo que se chama inocência, o poder sublime de ser simples, descomplicados e honestos. O que nós mantemos em nós mesmos de inocência, é o quanto nos podemos nos deixar guardar já que temos com quem dividir essa parcela da tarefa de sobreviver. Apoiado por sua família, por bons amigos e bons professores, quem se importe com você, nós podemos nos permitir guardar um pouco de inocência. Já pra quem leva a surra da vida sozinho, a realidade vai junto à comida, se é que tem comida, com o gosto de asco, desmanchando o otimismo e tirando algo que eu acho que é fundamental pra todo mundo -a boa esperança. A vida sem expectativas de dias melhores não tem sentido, tem?
Só que a realidade bruta não é ruim... Eu não gosto de colocar as coisas sempre nesses parâmetros "bom" e "ruim". Ela é, desafiadora. E quando o que pesa é cuidar dos outros, ela é fundamental. Mas o que pesa mais, em tudo, finalmente, é equilíbrio, e se ter apenas sonhos sem o menor fundamento com verdade é o mesmo que fugir então simplesmente viver sem ter coragem de ousar, de ser criativo, de tentar coisas novas é tanto escapismo quanto.
E cuidado da minha verve que vê sol as vezes num sorriso, eu criei a Teoria do Pedaço Perfeito equilibrando o que eu tenho de romântico e nunca irei abdicar, com as verdades que vêm enquanto a gente quebra a cara. Senão, Ei-la:
Supondo que o que nós entendemos por coração não seja aquele músculo bombeando sangue, mas uma coisa fora do corpo e invisível. Um sentimento, mas ainda algo concreto a ponto de poder ser lapidado. A amizade entre uma turma de amigos gera uma espécie de coração que pertence não a cada um deles, mas somente a todos, juntos. E a medida que a amizade vai mudando, esse coração vai mudando também. Quem sabe ficando desgastado? Quem sabe ficando maior?
Quando se ama, namora, se procura atirar-se desse precipício que é os relacionamentos e tentar voar, você também tem um coração que é lapidado a medida que você se envolve com alguém. E se não dá certo, aquilo muda você e molda esse coração. E cada outra vez, aquela relação que passou vai lixando esse coração até que com o tempo a forma dele vai mudando. E isso é importante porque um dia, uma hora, você encontra alguém que vem trazendo esse outro coração que, por todas as suas próprias experiências alcançou um formato que quando colocado junto ao seu, eles se completam. Harmonizam-se. Então não existe essa coisa de amor a primeira vista ou de pessoas que não se dão uma com a outra, mas existe o tempo, e como ele influenciou no amadurecimento de duas pessoas -na dose necessária para duas vidas se completarem.
É a minha visão bonita das coisas explicando um pouco da maldade do mundo... Porque na verdade, esse processo não para, e alguma hora, dois corações que se completavam podem não mais se completar. Vai saber. Mas eu sinto o cheiro das coisas com o nariz que eu tenho, o gosto com a minha língua e enxergo as coisas tão longe quanto os meus olhos deixam... Então com o coração que eu carrego, eu só posso pensar que a Teoria do Pedaço Perfeito é, rs, perfeita...e o que resta, é o desafio implorando por impulsividade em resolver esse enigma que é o de duas pessoas aprenderem a se desenvolver como uma só. Nada impossível...
Há algum tempo, lendo o livro “O Monge e o Executivo”, me deparei com a seguinte passagem: “só amor não é o bastante”. Num curso de formação de noivos dado em uma capela, um pastor fazia essa afirmação mencionando que a maior parte dos casais não sobrevive aos primeiros dois anos de casados sem que seu relacionamento possua uma base sólida construída sobre algo a mais que somente o amor – interesses mútuos, ambições convergentes, coisas que ajudem a atar firmemente a relação e protegê-la do desgaste do tempo. Afinal, pessoas mudam, rostos envelhecem, sonhos se desfazem, e quando o barco enfrenta a tormenta, frente a um possível naufrágio, é bom saber que podemos contar com esses pequenos botes salva vidas chamados “empreendimentos afetivos” promovidos ao longo do casamento, garantindo a resistência da família.
E por mais que eu reconheça a certeza dessas passagens, nem por isso deixo de ter minhas sérias ressalvas, já que, para mim, o amor sempre será necessário.
Penso assim porque um relacionamento que não se guia no carinho e no afeto conquistados com o desenrolar de um namoro não difere em nada de uma espécie de empresa ou sociedade, destinada ao crescimento individual de uma maneira generalizada através de um fim específico: permanecer juntos pela atitude altruísta como “vamos ficarjuntos pelas crianças” na verdade constituiria uma amizade esmerada e não uma verdadeiramente uma comunhão de corações. E porque a família é um espaço de auto-afirmação onde o meu crescimento depende do seu, esse sacrifício pessoal nunca, realmente, viria a vingar. “Ser Feliz” há muito tempo deixou de ser a regra-mor daqueles que buscam a felicidade já que um chavão de contos de fada não se sustenta no mundo real. Hoje, o mais importante é “Façamo-nos Felizes”.
Sem arrodeios, o que eu quero realmente dizer, e acredito nisso, é que não se trata de encontrar coisas que emparelhem com o amor, já que nada, absolutamente nada pode destronar esse sentimento, ou formular planos b´s pro caso das coisas estarem indo para o brejo, mas sim de descobrir formas de alimentar esse fogo, o combustível da chama que resplandece entre dois olhares cheios de desejo e se esforçar para não deixá-la apagar. Trata-se de elaborar um mapa onde o “x” marca uma descoberta do casal de como exercitar sempre o respeito, a consideração mútua e um querer bem que valha a pena agüentar as eventuais explosões e terremotos da vida de casado, para que, no caso de surgir um vão entre elas, ao invés de separação, este possa ser preenchido com carinho, possibilitando o miraculoso fenômeno de se reapaixonar diversas vezes.
Então eu pergunto sem medo, “porquê você me ama?” E mesmo sabendo que é uma pergunta difícil, até porque nem todo mundo consegue se interpretar como um livro ou desvendar a si mesmo com tanta facilidade, acredite que, se há motivos aparecendo na sua cabeça, embaralhados, talvez, com um estranho calor ou sensação de bem estar, ainda que não haja de fato uma resposta, há, ainda, uma solução. E onde há uma vontade, sempre haverá um caminho. Façamos então, uma ponte ao coração um do outro.