sexta-feira, 18 de junho de 2010

Dois Estranhos Numa Noite

- Amanda?
- an?
- A-Amanda, que porra foi essa!?
- O quê?
- Você não viu!?
- Mas que bosta, Sérgio! você acabou de me acordar!
- [agitado] Quê porra foi aquela, Amanda? Eu acabei de ver dois caras! Eles estavam aqui do lado da sua cama! Sentando a porrada um no outro!!! Como é que você não acordou?! [exasperado] Dava pra fazer um desfile de escola de samba com o cacete que eles desceram um no outro!!!!!
- Você quer falar baixo Sérgio, meu deus! Tá de madrugada, vai dormir!
- VOCÊ QUER QUE EU DURMA COMO CACETE?! [cuspindo] VOCÊ É QUE TINHA QUE ESTAR APAVORADA PORRA, [veia saltando] TU NÃO NEM VIU COMO UM DELES TAVA TE OLHANDO, COM UMA CARA DE FAMINTO!
- [sentando na cama] Tá relaxa, se acalma. vem cá [abraçando Sérgio com cuidado] passou...passou...isso...
- [tremendo] eu me caguei todinho. Eu não sabia se eu gritava ou se eu corria, eu achei que eles podiam me matar se vissem que eu tava ali.
- [desagarrando aborrecida] Mas você é um bunda-mole mesmo hein, Sérgio? Nem pensou em me proteger?
- Cê quer que eu veja dois brutamontes no meio da noite, que eu vi depois de passar a primeira noite na casa da minha namorada, depois de acordar mordido de sono pela trepada demorada da gente e do nada sair sentando o cacete? VOCÊ MORA NA PORRA DE UM PRÉDIO E OS CARAS SAIRAM PELA JANELA!!!
- É? E não quebraram nada? É a primeira vez que acontece.
- [suspiro resoluto] Amanda, meu amor...
- Oi!
- [histeria pulso 110 por 7 que só muito medo provoca...ou calma de mentira] Como é que eu te conheço a, o quê? 7 meses?
- e 23 dias.
- 7 meses e 23 dias...sei, e...como é que eu te conheço esse tempo todo... e você nunca, nem uma vezinha, nem entre uma garfada e outra, nem nos intervalos comerciais, você não pensou em me avisar o que eu poderia encontrar se tivesse vindo aqui?
- Olha Sérgio, eu vou ser franca. Eu pensei que podia estragar o nosso encontro.
- VOCÊ ACHA?!
- 7 meses e 23 dias, Sérgio! Você não acha que eu já tinha esperado demais pra você me com-
- Do quê... [chocado] do quê que você tá falando?!
- Olha, eu já saí com uns caras antes e eu sei que cada um tem o seu tempo, mas você conseguia um ouro fácil fácil pro Brasil nessas Olimpíadas, Sérgio. Vai ser reservado assim no inferno.
- [mais chocado] Você tá me chamando de frouxo?!
ohmy.gif


[Nota do Narrador: Existem coisas que são mais importantes para um homem e que tomam prioridade em qualquer discussão, ainda que a ordem seja interromper uma conversa sobre a possibilidade de assassinos de aluguel terem invadido o seu apartamento pra brincar de Mortal Kombat sem joystick e fugir do 9º andar sem pára-quedas, e uma dessas coisas...é virilidade!]


- Eu fui muito respeitador! muito! Eu segui o livro ao pé da letra desde o primeiro encontro!! Flores, presentes, cineminha, deixar na porta de casa, conhecer os pais...
- Eu não sabia que tinha que conhecer os pais pra poder transar. Queria saber o quê? Se eu sou uma filha da puta?


[Nota do Narrador: E a coisa que mexe ainda mais com um homem...é quando a sua namorada mostra que tem uma virilidade...ainda maior que a dele]


- [mais chocado ainda] eu...mas quê...e-eu, aca-...o-olha! olha! [recomposto] Eu prezo pela qualidade, porra! pela nossa qualidade! pela qualidade da nossa relação! E eu duvido que você encontre calibre assim em outros 76 minutos! 76 minutos Amanda! Não é qualquer um que passa trepando esse tempo todo!
- Lógico! Tinha quase uma boda de papel celofone pra compensar!
- O.O E VOCÊ QUER DIZER QUE FOI RUIM?!
- Ruim não foi, né môr...[se aconchegando junto] rendeu gostoso o que rendeu...alias, tem tempo pra acordar de vez ainda. Não são nem duas da manhã. E se a gent-
- [recuada estratégica. Sangue voltando para a cabeça de cima] O qu- nã-não! Amanda! Você ainda não me explicou que porra foi aquela.
- [suspiro] Tá bom, tá bom. Aquilo acontece, amor. Fazer o quê?!
- Como é que dois completos loucos desconhecidos invadem a sua casa do nada e você diz que isso acontece?! Isso já aconteceu antes?!
- Já, tem tempo. E um deles não é desconhecido. Não tinha camisa vermelha? Ele sempre aparece o da camisa vermelha.

-Quê?!
- É. Vê, eu também ficava assim que nem você. Na primeira vez foi uma loucura. Eu acordo com um negócio quebrando e quando eu vejo, um gigante sentando a porrada num homem mirrinho. Eu quase infarto! Aí o Grandão ganhou e teve aqueles silêncios sabe, que ele me olhou e me disse tudo com os olhos?
- Quê?!
- Que te dizem tudo com os olhos. Ele olhou pra mim e pulou indo embora com o muidinho deixando só caco pra trás. Lógico que eu fiquei histérica, eu corri pra casa dos meus pais em pânico, tentei me acalmar de tudo quanto era jeito e até pensei que ia ficar pinéu. Mas sabe o que aconteceu, mô?
- Quê?! digo- o quê?
- Apareceu uma outra dupla na casa dos meus pais enquanto eu ainda estava me recuperando. Um gigante cabeludão que quase acertou uma faca em mim e o gigante de vermelho de novo que sentou uma porrada de tremer estádio em cima do cabeludão. E depois que terminou a briga deles, ele me olhou com aqueles olhos, sabe quando aquele par de olhos dizem tudo?
- Sei. Quer dizer, sei porra nenhuma!
- [ignorando] ...e eu voltei para casa com medo, sem contar pros meus pais...também, o que eu ia contar, hahahaha. E voltaram a acontecer brigas no apartamento também. E toda vez aparece alguém novo com o de camisa vermelha, que briga briga briga, mas ficou tão bom nisso que já nem quebra nada. Aí eu me acostumei com o silêncio e nem acordo mais.
- hahahahahhahahahahaha
- ?
- aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa-hahahahahhahahha [pressão 150/90] não, não, essa eu preciso, hahaha, essa eu preciso [crise de riso]
- Deixa de ser bobo, Sérgio!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA-HAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA...
- Meu deus, mas que criança grandalhona. Só tem tamanho mesmo.
- ["tamanho" faz Sérgio lembrar da realidade e o riso vira choro] uaaaaaá, uhuhu T_T
- [afetuosa] Meu amor, calma, calma, não fica assim, isso passa! passou comigo
- Mas você tá louca, Amanda?! Você não percebe como a sua vida tá maluca? Como a sua vida tá perigosa?!
- Ela tá meio diferentizinha, mas não tá tão mudada assim.
- Como é que você pode pensar que não tá? Tá mais rodada que roda gigante, Amanda! Que bolsa de personagem de Amarelo Manga! Eu só não entendo... eu só não entendo, meu deus...como é que você consegue esquecer de me dizer isso, como é que você conseguiu levar na conversa os outros caras...
- Eu tive poucos namorados, Sérgio, e alguns deles já reagiram um pouco pra menos e um pouco pra mais do que com você. E gozado, rs, sabe que eu nunca mais ouvi deles?
- [pânico] Anh? como assim?
- Eh...rs, eu vou ver se falo com a Cíntia, ela nunca mais me disse nada do Matheus.
- É PORQUE ELE DEVE ESTAR MORTO! O MATHEUS E O RESTO! aaaaaaaaaaaaa
- Deixa de ser fatídico, Sérgio! Que coisa mais exagerada! bate na madeira!
- [batendo a cabeça na cabeceira] toma! toma! toma!
- Rsrs, deixa de ser bobo, amor.
- [deitando zonzo] T-tá, eu paro... ... eu posso só saber como é que você vive com isso? como é que você encara tudo isso nessa naturalidade? Eu já te vi ter uma reação frágil até pra uma barata, Amanda. Porra! Eu te levei pra ver filme de fantasma e você se encolheu toda. Me agarrou todinho. E era dos trapalhões!
- 7 meses e 23 dias, Sérgio...7 meses e 23 dias...
- Mas você nunca pensou em perguntar ao diabo o que tá acontecendo? Saber e por um fim nisso?
- Olha, cê sabe que eu tento ter uma atitude super positiva, né? No trabalho a Cíntia me chama de menina do comercial, rs. Sabe aquela garota que tá sempre sorrindo, como se a vida tivesse perfeita? É porque a gente tem mesmo que agir diferente, ter essa garra, ter essa força!
- Eu acho que você é a única atendente de telemarketing que eu conheço que não falseia a voz! Eu ia descobrir hoje de manhã se você injetava alguma coisa, eu ia olhar lá no seu banheiro.
- Rsrs, para, amor! bobão.
- Eh...hehe...>glup< hehe
- Então eu penso comigo: será que se pudesse ter algo para ser resolvido além de palavras, poderia ser resolvido assim? Francamente, será? E sabe o que eu penso? Que não.
Porra, o Godzilla entra na minha casa de Ranger Vermelho e dá uma surra num outro monte de músculos, e outro, e outro, e outro...eu acho que é uma daquelas coisas que não dá mais para tentar explicar. Tem gente que não deixa a razão entrar dentro da cabeça, sabe?
-Ah, mas você não sabe como!
-Então eu mentalizo e tento pensar no que é importante para mim, nas minhas certezas, e então me vêm e eu fico em paz. Que eu não preciso abrir mão de quem eu sou pra ficar me desesperando, até porque, francamente, mesmo que eu corresse e praticasse exercício pra ficar forte e me defender sozinha, a minha malhação cai melhor na bunda que no braço, fala a verdade...
-Existem coisas que não se discutem...
-E depois, eu me sinto segura sabendo das duas coisas que eu já sei tem tempo.
-[sentando] O quê?
-[carinho no peito] Que eu tenho o meu homenzarrão...
-[encabulado] rs, quiéisso...
-...e que o de vermelho sempre ganha.
- O.O

Um comentário:

  1. muito bom! hehehe
    já tinha lido essa qdo vc mandou por email e eu nunca havia comentado.

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