Há algum tempo, lendo o livro “O Monge e o Executivo”, me deparei com a seguinte passagem: “só amor não é o bastante”. Num curso de formação de noivos dado em uma capela, um pastor fazia essa afirmação mencionando que a maior parte dos casais não sobrevive aos primeiros dois anos de casados sem que seu relacionamento possua uma base sólida construída sobre algo a mais que somente o amor – interesses mútuos, ambições convergentes, coisas que ajudem a atar firmemente a relação e protegê-la do desgaste do tempo. Afinal, pessoas mudam, rostos envelhecem, sonhos se desfazem, e quando o barco enfrenta a tormenta, frente a um possível naufrágio, é bom saber que podemos contar com esses pequenos botes salva vidas chamados “empreendimentos afetivos” promovidos ao longo do casamento, garantindo a resistência da família.
E por mais que eu reconheça a certeza dessas passagens, nem por isso deixo de ter minhas sérias ressalvas, já que, para mim, o amor sempre será necessário.
Penso assim porque um relacionamento que não se guia no carinho e no afeto conquistados com o desenrolar de um namoro não difere em nada de uma espécie de empresa ou sociedade, destinada ao crescimento individual de uma maneira generalizada através de um fim específico: permanecer juntos pela atitude altruísta como “vamos ficar juntos pelas crianças” na verdade constituiria uma amizade esmerada e não uma verdadeiramente uma comunhão de corações. E porque a família é um espaço de auto-afirmação onde o meu crescimento depende do seu, esse sacrifício pessoal nunca, realmente, viria a vingar. “Ser Feliz” há muito tempo deixou de ser a regra-mor daqueles que buscam a felicidade já que um chavão de contos de fada não se sustenta no mundo real. Hoje, o mais importante é “Façamo-nos Felizes”.
Sem arrodeios, o que eu quero realmente dizer, e acredito nisso, é que não se trata de encontrar coisas que emparelhem com o amor, já que nada, absolutamente nada pode destronar esse sentimento, ou formular planos b´s pro caso das coisas estarem indo para o brejo, mas sim de descobrir formas de alimentar esse fogo, o combustível da chama que resplandece entre dois olhares cheios de desejo e se esforçar para não deixá-la apagar. Trata-se de elaborar um mapa onde o “x” marca uma descoberta do casal de como exercitar sempre o respeito, a consideração mútua e um querer bem que valha a pena agüentar as eventuais explosões e terremotos da vida de casado, para que, no caso de surgir um vão entre elas, ao invés de separação, este possa ser preenchido com carinho, possibilitando o miraculoso fenômeno de se reapaixonar diversas vezes.
Então eu pergunto sem medo, “porquê você me ama?” E mesmo sabendo que é uma pergunta difícil, até porque nem todo mundo consegue se interpretar como um livro ou desvendar a si mesmo com tanta facilidade, acredite que, se há motivos aparecendo na sua cabeça, embaralhados, talvez, com um estranho calor ou sensação de bem estar, ainda que não haja de fato uma resposta, há, ainda, uma solução. E onde há uma vontade, sempre haverá um caminho. Façamos então, uma ponte ao coração um do outro.
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